Síria – impressões. Trânsito.


À primeira vista, o trânsito na Síria parece louco, desorganizado, sem sentido. Mas depois de 30 minutos andando de carro lá, tu vai ter certeza disso. 

Se tem um carro vindo na tua direção, tu buzina. Se tem um pedestre descendo da calçada, tu buzina. Se o carro na tua frente está devagar, tu buzina. Se o carro na tua frente está rápido, tu buzina. Se o carro na tua frente parou, tu buzina. Se o carro andou, buzina. Se tem alguém de bicicleta, buzina. Até as bicicletas tem buzina! E o próximo passo vai ser distribuir buzina para os pedestres, que na verdade não estão nem aí, porque quando eles querem atravessar eles simplesmente vão andando, nem olham para os lados, e todo mundo fazendo o que? Buzinando, claro! Mesmo quando não vão atravessar eles andam no meio da rua, até que alguém buzine, aí eles vão um pouco para o lado para o carro poder passar.  Enfim, muito simples. E como não tem polícia controlando, fico tudo ainda mais fácil. Não precisa ter carteira de motorista, não tem idade mínima pra começar a dirigir, e na maioria das ruas tu pode passar por onde estiver mais fácil de chegar no teu destino. Se tu tem que virar à esquerda, não precisa ligar pisca-pisca, nem dar preferência. É só ir buzinando, parando, deixa um passar, anda um pouco, e se estiver difícil, tu pode andar pela mão inglesa mesmo, não precisa perder tempo. 

Os carros e motos não precisam ter faróis, basta que andem. E se tu tiver sorte, tu não vai atropelar nenhuma muçulmana durante a noite, andando toda de preto na escuridão total, já que praticamente toda a cidade de Alepo está sem luz. 

Mas tudo tranquilo. Tirando isso, o trânsito é uma maravilha…

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Em Kilis.


Bom, cheguei ontem em Kilis, e fiquei no hotel Paris esperando um fotógrafo da Espanha que vai atravessar a fronteira comigo amanhã. Nesse tempo encontrei várias pessoas que estiveram na Síria nos últimos dias, tirei várias dúvidas que eu tinha, e era isso. Agora vou ter que arrumar tudo, porque amanhã de manhã, as 8:30 nós saímos do hotel em direção à fronteira com a Síria, e lá vai ter um “fixer”, que é um “faz-tudo” pra quem entra no país. Ele vai nos levar pra lá e pra cá nesses dias que vamos estar lá, vai conseguir um lugar pra ficarmos.

Enfim, vamos ver no que vai dar. Não sei se vamos conseguir acesso à internet por lá, mas se conseguirmos vou tentar mandar notícias. Se não, dia 27 ou 28 estaremos de volta em Kilis pra tentar visitar o campo de refugiados aqui perto. 

Até a volta. 

PoA-RJ-Paris-Istambul, e daqui a pouco Gaziantep!


Coisa boa chegar num país onde tu não entende o idioma! Não importa o que tu pergunte pra qualquer pessoa, sempre parece que eles estão xingando! Eles fazem uma careta, dão uma reclamada em turco, e depois respondem numa mistura de turco com inglês que, se tu não entender na primeira, vai piorando com o tempo, até tu ter certeza de que eles estão te xingando, aí mesmo que tu não tenha entendido é melhor fingir que sim, sair de fininho, e perguntar pra outra pessoa depois, prestando bastante atenção na primeira resposta! 

Agora eu estou sentado num café, pra poder usar a internet, e há pouco chegou uma senhora e começou a gritar alguma coisa em árabe no meu ouvido! Quase me escondi em baixo da mesa. Ou ela estava achando que eu tenho cara de árabe ou ela estava falando que eu matei alguém! Falei que não entendia, em inglés, e acho que ela também não entendeu o que eu falei, e foi embora do jeito que chegou! 

Vou ficar aqui nesse café de gaiato até os garçons virem me tocar daqui. Presumindo pela cara deles acho que não vai demorar muito, mas vai saber… Às vezes as aparências enganam… Vamos ver quem desiste primeiro… Image

Nova fase minha e do blog!


Quem já havia visitado o blog percebeu que os posts antigos já eram. O causo é que vou mudar um pouco de postagem. Antes, quando havia postado, eram mais generalizados, mas agora vou usar essa ferramenta para divulgar um pouco do meu (quem sabe) trabalho! 

Quem me conhece sabe que gosto de fotografia, que já era um dos assuntos do blog, mas o tipo de fotografia que me agrada não é aquela de casamento, festa de aniversário, batizado… Pra mim a fotografia tem que significar algo mais além da felicidade cotidiana dos alienados. Tem que servir como uma denúncia na violação do direito do objeto fotografado ser feliz também, mas que por algum motivo, seja ele qual for, está sendo privada desse direito. 

Talvez muita gente não se interesse por isso, afinal, é mais agradável ver uma “foto de proteção de tela do windows” do que uma foto que choque, mas pra mim não é mais fácil tirar essa foto, e é isso que importa. 

É por isso que há 2 semanas tomei a decisão definitiva (porque já tinha decidido ir, mas não agora) de ir para a Síria fotografar o conflito. Não sei se vou pra linha de frente, ou se lá vou decidir seguir outro tema de fotografia, ou se no final vou me c#@ar nas calças e voltar pra casa sem uma foto que preste, mas o que eu sei é que amanhã, as 14:02hs, eu saio de Porto Alegre, e a previsão é que sexta-feira, eu esteja em Aleppo. 

A volta está marcada para dia 30/11. Não sei se vou conseguir atualizar o blog nesses 17 dias, mas vou tentar. 

Até a volta!!